a garota ruiva

27 jun

Chegava ao trabalho às 9h15 da manhã, caía uma garoa fina, os sinos da igreja já haviam tocado. Na entrada do prédio, reparou nas pessoas que olhavam curiosas em direção à rua interna do Copan. Um volumoso plástico preto jogado na rua, inconfundível, denunciava a presença do corpo.

Ainda não havia polícia ou bombeiros e eram poucos os curiosos. Perguntando, descobriu que só não assistiu ao suicídio porque se atrasara naquela quinta-feira. Pegara o metrô ao invés do ônibus, pois sua faxineira lhe trouxera o bilhete da integração, para lhe poupar a passagem. Quinze minutos antes, teria sido a primeira a ver o corpo da garota ruiva que ainda não completara vinte anos e que se jogara do oitavo andar.

Pouco depois, já observando da janela do escritório, tinha dificuldade em esconder a sensação insólita que lhe despertara aquela garota de cabelos ruivos, que confiara sua liberdade à morte. Sentiu por ela uma intensa admiração. (L.D)

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