Estação Paraíso

25 abr

Morava perto da Estação Paraíso. Pegava-se a saída pro Viaduto Sta. Generosa, descia-se duas quadras e ali estava o prédio, ao lado da praça. Podia-se ir de carro também, uma delícia cruzar toda a Avenida Paulista no solzinho de domingo. A expectativa crescendo, conforme se avistava o edifício do Itaú.

Era uma rua ruim de se estacionar. Mas não era por isso que eu costumava parar no quarteirão de baixo. Era porque nossas despedidas iriam até os vidros dos carros embaçarem, uma buzina tocar sem aviso, o som desligar de repente.

Ouvíamos a mesma música se repetir na rádio diversas vezes. Passamos a gostar de Pitty, ninguém entendia. Eu adorava ligar o som do carro só pra ver que o volume abaixava sozinho, resultado de nossas noites na outra praça, perto de casa, que duravam dez minutos e logo já era dia. Aquele Kazinho, como a gente chamava, que carinho tinha por aquele carro.

Foi um amor sobre rodas. Amor detrás das portas. De calças puxadas às pressas quando se ouve um girar de chaves. De carinhos sob o cobertor, respirações contidas, palpitações…  de fazer corar e dizer o mundo sem dizer nada.

Nos perdemos no caminho. O amor não passou, ficou ali em algum lugar.

Hoje já não mora mais lá, mudou-se, pra perto da Consolação. Mudei também. Mas uma parte de mim ficou para sempre por lá, na Estação Paraíso.

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